domingo, 28 de outubro de 2012

ANÁLISE DO FILME: "PERFUME: A HISTÓRIA DE UM ASSASSINO"



"PERFUME: A HISTÓRIA DE UM ASSASSINO"

Paulo de Moraes M. Ribeiro

Direção: Tom Tykwer 

“Cheirar para existir e matar para 
não estar morto: 
a estória de um assassino que poderia 
ser qualquer um de nós”

I – Introdução:

Há pessoas, como o nosso protagonista Jean Baptiste Grenouille, que estão em busca do sentimento de ser alguém nesse mundo, de existir, um sentimento de identidade própria. Para quem já tem esse sentimento como certo e nunca parou para pensar no fato, isso pode parecer um disparate sem sentido. Mas o sentimento de ser uma “pessoa” (Winnicott, 1962), um indivíduo único e exclusivo nesse mundo, não é uma garantia, não basta apenas ter sido parido por alguém; esse “senso de existência” (Marques, 2006) é mais uma conquista do que algo dado de graça, como um presente da Vida, ou de Deus.
Costuma-se dizer que uma imagem vale mais do que mil palavras... Como amantes do cinema, penso que acreditamos nisso, mas também depende da imagem... e das palavras em questão. A imagem do cartaz dessa apresentação foi uma feliz escolha, é Dánae, do pintor austríaco Gustav Klint, que ao meu ver, consegue ‘exalar’ um perfume intenso... É uma imagem visual capaz de impressionar nosso sensorial olfativo, se nos permitirmos esse ‘sonho’/fantasia. Podemos sentir, através das pinceladas de Klint, um  cheiro de sensualidade, feminilidade, quem sabe, de luxúria... ou ternura. 
Mas isso é da ordem do belo, e o que quero apresentar a seguir é uma seqüência de imagens não tão bonitas assim; são belas, mas do ponto de vista da estética da dor. São pinturas ou esculturas em sua maioria, e embora não me detenha especificamente em nenhuma delas, ao exibi-las tenho como objetivo ‘falar sem palavras’ sobre emoções de artistas que, penso eu, como Jean Baptiste, estão lidando nessas obras com a busca do sentimento de ser uma “pessoa”, do sentimento de existir nessa vida. [Apresentação dos slides] 
Reparem na dor, no desespero, no vazio existencial, na depressão essencial, na angústia, na falta de forma, de sentido... Esses artistas estão expressando em forma visual algo que visa nos tocar, provocar emoções no expectador. Parodiando Descartes quando disse “penso, logo existo”, se os artistas conseguem nos tocar, vivem algo como “sou visto, logo existo”. Estão fazendo uso da sensorialidade visual (imagens), assim como o personagem do filme fez uso da sensorialidade olfativa. 
Jean Baptiste Grenouille foi parido no meio do lixo, ao lado de um cemitério, o Cemitério dos Inocentes, das crianças. Nasceu como lixo, para ser descartado ali mesmo. Nasceu para morrer, assim como seus abortados irmãos anteriores. Mas algo aconteceu diferente: suas narinas começaram a funcionar... os cheiros invadiram seu corpo (ou quem sabe, seu corpo buscou os odores ali presentes), e essa impregnação sensorial salvou sua vida. O odor intenso daquele lugar foi um estímulo tão marcante que não poderia passar despercebido, pelo menos não por ele, que era dotado de um forte “instinto de vida” (Freud) que o fez sobrevivente desde o início. Essa impregnação olfativa o marcaria por toda sua existência. Voltaremos a essa questão mais adiante.

II – O sentimento de ser uma “pessoa”

Winnicott (1962), um reconhecido psicanalista inglês, chama um ser humano de “pessoa” apenas a partir do momento em que o desenvolvimento deste permite um senso de individualidade mínimo que possibilite a criança “examinar o que os outros vêem, sentem, ouvem e o que pensam” quando se deparam com ela. Diz ele: “Há um ego desde o início? A resposta é que o início está no momento em que o ego inicia.” (pág. 55 e 56). Antes disso não haveria nada, pelo menos nada de útil. Será? 
Acredito que algumas pessoas, como o nosso protagonista, nunca chegaram a ser “pessoas” como na concepção de Winnicott. Nunca alcançaram, pelo menos em grau suficiente, um sentimento de existir dentro da própria pele, de ‘ser eu mesmo’, ser uma pessoa única e exclusiva nesse mundo, com suas virtudes e defeitos característicos.
Jean Baptiste tenta ser alguém, mas ninguém o percebe, ele é quase ‘invisível’ ao ser inodoro. Todos nós temos um odor pessoal, característico e único. É como nossa impressão digital: nos identifica. Só não o percebemos o tempo todo devido aos nossos hábitos de higiene, com banhos freqüentes e uso de sabonetes e perfumes, e também pela impregnação do nosso nervo olfativo, que de tanto estar acostumado com o próprio cheiro, nem o denuncia à nossa consciência. 
Grenouille era diferente, não tinha odor próprio. Penso ser isso uma metáfora usada pelo escritor desse romance, Patrick Süskind, para descrever a não-existência de Jean Baptiste. Ele vivia encapsulado em si mesmo, mal se interessava pelas pessoas, não se relacionava com o mundo. Não havia trocas: nem de um sorriso, um grito, um piscar de olhos... nem mesmo seu cheiro era compartilhado entre as pessoas. Mas fazia isso de propósito? Penso que não. 
Como poderíamos cobrar de alguém que nunca foi amado, amar? Quem nunca foi reconhecido como um ser humano único, valioso, como poderia ter re-conhecimento do “outro”? Como poderia ter consideração pelo “outro” que não é ele mesmo? É por isso que, apesar dele ser um serial-killer, nós não o odiamos e até podemos torcer para ele se dar bem. Seu objetivo nunca foi o de matar aquelas mulheres, isso apenas era, digamos, um ‘efeito colateral’ da necessidade dele extrair o seu odor, a sua essência. Não penso que ele era um perverso que obtinha alguma forma de prazer dos assassinatos, ele era muito mais alguém lutando para sobreviver, para ter o re-conhecimento de sua existência. Para isso, ele acreditava que precisava conseguir criar o ‘perfume eterno’, aquele que possibilitasse seu “senso de existência”, de continuidade na vida. O perfume que permaneceria ao longo do tempo, que não se esvairia, seria a sua fórmula mágica, alucinada, que garantiria ele ter um cheiro, e um cheiro especial, que fizesse todos que o inalassem o amar... Ele, que nunca fora amado.

III – Existir ou não existir? Eis a questão!

Todos nós, humanos, não escapamos da necessidade de encontrar um sentido de existência, do contrário, estaríamos no pólo do senso de inexistência, algo muito desesperador. Ser essencialmente quem somos, encontrar um sentimento de existência e permanência nessa vida e nesse mundo é tarefa cotidiana. O que há de mais fundamental em nós é conquistarmos a noção de vir a ser quem somos, ser o que nos define como pessoa e que compõe os alicerces mais profundos da nossa existência. A capacidade de confiança em si mesmo, ligada à auto-estima (amor-próprio), está relacionada a isto.
 Há em nós o que se pode chamar de um  “ser interior” (Walter Trinca, 2007) que faz-nos sentir nossa existência. No que concerne a cada um de nós, este sentimento dá realidade e verdade a experiência de ser um, uno, único, nesse mundo; essa é a experiência de ‘ser eu mesmo’, algo indispensável para alguém se tornar uma pessoa inteira e dona do próprio nariz.
O que comumente chamamos de individualidade, originalidade própria ou atributos que definem e distinguem determinado indivíduo, estão ligados a imanências do “ser interior”. Para que a individualidade e a personalidade sejam funções plenas do indivíduo,é preciso que nelas estejam presentes conexões e expressões oriundas do ser que fundamentalmente somos. 
Quando a conexão ‘conosco mesmos’ se dá, o núcleo de existência mostra-se por emoções vitais: a pessoa se sente com vida interior, ligações significativas, alegria de viver, felicidade de estar vivo, etc. Nada disso observamos no nosso protagonista, Jean Baptiste. Ele é frio, algo triste, não se interessa pelas pessoas ou pelas coisas da vida, sejam elas materiais ou emocionais. Poderia abusar sexualmente daquelas mulheres, ou fazer uso de incalculáveis riquezas que lhe foram oferecidas, mas nada disso passava pela sua cabeça. Podemos dizer que ele estava funcionando mentalmente aquém do Princípio do Prazer (Corrêa, 2006) descrito por Freud, ainda não alcançara um mínimo de senso de existência para experimentar prazer, quanto mais experimentar o Princípio da Realidade.
A vida é um bem supremo e participar ativamente dela nesse planetinha azul é uma alegria única. Quem pode experimentar a vida assim é capaz de se relacionar com o que é vivo e vital, separando-se das as forças contrárias à vida (o Instinto de Morte). Pode-se observar isso claramente em crianças saudáveis, que desde muito cedo demonstram essa alegria de viver nas mais simples atividades de seu cotidiano. 
Essa alegria de viver, de estar vivo nesse mundo, de se sentir existindo ao longo do tempo e com uma identidade e individualidade própria, pessoal, é um  movimento de vida que se expressa como emoção de tipo não-sensorial. Quando se alcança isso não precisamos de nenhuma prova, ou evidência concreta (sensorial) de quem a gente é, das nossas capacidades, da nossa potência. Desde seus primórdios, o “ser interior” é não-sensorial em sua constituição, qualquer que seja o nível em que o situemos. Um vazio de sensorialidade permite sua existência, é necessária uma presença não-sensorial para a existência deste; apesar de que os cuidados sensoriais básicos, ou o que Winnicott chamou de “holding”, somado aos cuidados emocionais que Bion chamou de “rêverie”, sejam pré-requisitos essenciais para o firme estabelecimento do “ser interior”. 
A sensorialidade defensiva se faz necessária na ausência do “senso de existência”. O nosso protagonista, Grenouille, buscou no olfato (sensorial olfativo) evidências de estar vivo, existindo: ‘cheiro, logo existo’. Enquanto suas narinas eram impregnadas pelos milhares de odores do mundo, ele sentia-se vivo; os estímulos sensoriais reasseguravam sua existência. É como os pacientes psicóticos que fazem feridas na própria pele, beliscando-se até sangrarem, e isso não lhes constitui dor ou sofrimento, mas sim alívio: ‘sinto (dor), logo existo’.
No entanto, a constante luta para sentir-se vivo cansa. Naquela linda cena no meio de uma travessia, na estrada vida, Grenouille encontrou a ‘caverna-útero’ com cheiro de pedra fria, na qual havia uma quase completa ausência de odores. Ele achou isso esplendido, e entrou em um estado de paz que talvez seja algo parecido com o estado descrito como “nirvana”. Isto foi interrompido por um sonho de angústia, no qual ele se deu conta de que não tinha cheiro. Sonhou com a linda moça de Paris, e nele, viu que ela não o percebia porque ele não tinha odor próprio, ele era ‘invisível’. Tirou, então, suas roupas e banhou-se na chuva na busca desesperada de encontrar seu cheiro próprio, sua ‘alma’. Percebeu que durante toda sua vida havia sido insignificante para todos e passou a sentir o medo do próprio esquecimento... era como se ele não existisse, e nunca tivesse existido. 
Penso que, de certa forma, ele já ‘sabia’, mesmo sem ter consciência, que ele não tinha cheiro, que não existia mentalmente (Tustin, 1992), por isso colocou-se novamente na desesperada pesquisa para descobrir a técnica de extrair a ‘essência permanente’, a ‘alma’ de uma pessoa. Era como se, ao conseguir extrair essa essência, ele pudesse conquistar o que mais precisava, seu sentimento de ser uma “pessoa” nesse mundo.


IV – Cheirar para existir e matar para não estar morto

Usei o provocativo título para essa palestra: “... um assassino que poderia ser qualquer um de nós”, pois penso que todos nós aqui nessa sala temos a sorte de termos nascido de uma mãe que nos ‘deu a luz’ mais do que nos ‘abortou’, e quem sabe também, de haver um pai por perto, colaborando com ambos, mãe e bebê.1 Não fosse assim, estaríamos sujeitos a, para sobreviver, lançarmos mão seja lá do que estiver disponível para sustentar nossa existência. 
Thomas Ogden (1996), um dos mais criativos autores da psicanálise contemporânea, propôs um modelo para a compreensão da mais primitiva organização psicológica no ser humano, e a denominou “posição autística-contígüa” (PAC).2 Ela é autística, pois nesses primórdios não é possível ao recém-nascido reconhecer a existência de um outro ser separado dele. Um bebê é vitalmente dependente de alguém que cuide dele, alimente-o, limpe seus dejetos, dê afeto, etc., e a percepção precoce de que esse alguém pode não estar lá quando necessário lhe é altamente perturbadora; então, ele magicamente nega a percepção da alteridade e vive um período autístico, ou fusional, no qual mãe e bebê são um (1+1=1). Essa posição é também contígua, pois o bebê necessita sentir que as superfícies que ele experimenta se tocam entre si, são contínuas, não têm rupturas ou separações, que ‘lembrariam’ ao bebê seu estado de separação de sua mãe, colocando-o em estado de intenso desamparo.3
Um exemplo disso, seria quando um bebê acorda no meio da madrugada berrando de medo, talvez porque sonhou que estava rasgando mortalmente o útero da sua mãe ao nascer, e ela o pega no colo, o embala na cadeira de balanço, cantando uma doce cantiga de ninar. Essa mãe está usando os componentes sensoriais auditivos (cantiga de ninar), táteis (seu colo), enteroceptivos (o embalo), e quem sabe também, os olfativos (seu cheiro) para re-estabelecer o senso de continuidade que aquele pesadelo do bebê rompeu. Mas essas questões não ocorrem apenas com bebês, nós adultos também temos momentos nos quais nos deparamos com angústias da “posição autística-contígüa” e fazemos uso da sensorialidade para nos acalmarmos. Essas defesas envolvem a criação de estímulos sensoriais que produzam ritmo, harmonia e sensação de continuidade: a pessoa se embalando na cama para dormir, acariciando seu cabelo, ou fumando um cigarro em momentos de tensão, são exemplos cotidianos. O ‘perfume eterno’ que Grenuille queria criar, que nunca se esvairia, também.
Essas formulações de Ogden, penso eu, estão plenamente em acordo com a de Freud (1923) quando disse que o ego, o eu, é nos seus primórdios, um ego corporal, sensorial. As sensações, as experiências sensoriais dão ‘como que’ um chão a partir do qual o ego psíquico pode se originar.4 Como disse Winnicott, é a partir daí que, se tudo correr bem, pode surgir uma “pessoa”, um indivíduo, um ser inteiro. 
Jean Baptiste não alcançou esse estágio, ficou preso no mundo das sensações, no mundo olfativo, não alcançou a oscilação PSßà PD posteriores à PAC. Ficou buscando, através da criação do seu perfume, encontrar quem pudesse se relacionar com ele, amando-o, para assim ele se sentir uma “pessoa” existente nesse mundo. Ele vivia desconectado do mundo a sua volta, passava pelas pessoas e tirava delas aquilo que precisava, sem relacionar-se, sem trocas. Des-conexão do que é vivo é um meio de sobrevivência. As crianças autistas, e penso que Grenouille era uma, são assim, elas se desconectam do mundo a sua volta e passam a viver um mundo particular seu, criação sua. Usam muito do sensorial tátil e enteroceptivo para manterem a sensação de continuidade, de estarem vivas. Se elas param, por exemplo, de se embalar no movimento contínuo e rítmico de levar seus corpos para frente e para trás, elas entram em desespero, como se uma ruptura abrupta da vida estivesse preste a acontecer. ‘Pensam’ algo assim: ‘me movimento, logo existo; se não me movimentar, morto estou!’.

V – A Psicanálise como veículo para o vir-a-ser quem a gente é

Grenouille termina sua existência onde começou, no Cimetière des Innocents em Paris. Tentou encontrar quem o amasse para haver trocas nas quais poderia sentir-se uma “pessoa” existente nesse mundo, criou o mais maravilhoso perfume do mundo, fazendo com que todos a sua volta o amassem profundamente, como se ele fosse um anjo, ou o próprio messias na Terra; no entanto, ele mesmo não conseguiu amar ninguém, era tarde demais. O ser humano é um animal gregário, precisamos de um outro ser (inicialmente, a mãe) que, através de trocas afetivas íntimas, nos ‘mostre’ que somos um indivíduo e que podemos evoluir ao longo do tempo. 
Jean Baptiste não mais fazia trocas, mesmo encontrando uma multidão de pessoas prontas para darem-lhe tudo o que pudesse imaginar, nada mais importava. Süskind, seu autor,  escreveu: E ainda que chegasse a aparecer diante do mundo, através do perfume, como um Deus – se ele não podia cheirar a si mesmo e, por isso, jamais saberia quem ele era, - nada disso importava, não importava o mundo, ele próprio, o seu perfume. (pág. 260)
Verifica-se em Psicanálise que algumas pessoas conseguem alcançar a experiência de seu “ser interior” como sendo a fonte primária e imaterial de vitalidade. Elas experimentam sentimentos de liberdade, vida, fluidez, suavidade, leveza e amplidão. Surge gratidão por estamos vivos e participando ativamente desse mundo. Surge também, gratidão pelos nossos pais, que, apesar das falhas e dificuldades, criativamente nos geraram. Em tais experiências, após trabalhar os aspectos invejosos e destrutivos da personalidade, predomina o aspecto amoroso, o Eros, que permite a união não-conflitiva da pessoa consigo própria e com o mundo. Esse trabalho é árduo e longo. Demanda, através da parceria com o analista, regredirmos, não à ‘vidas passadas’, mas aos momentos trágicos dessa vida mesmo, experienciando-os, elaborando-os e libertando-os, para assim podermos prosseguir adiante com tudo o que somos e que podemos vir-a-ser. Sermos nós mesmos é o melhor que temos para oferecer a nós e ao mundo.

VI – Encerrando

Para encerrar, gostaria de compartilhar com vocês um veículo de publicidade da Anistia Internacional que recebi pela internet recentemente. É um desenho que mostra situações de dor e des-esperança em homens, mulheres e crianças; sendo que a saída desses estados de dor se dá mediante uma assinatura, que ora se transforma numa porta, numa força necessária para enfrentar o inimigo, ou num escudo conta tiros, etc. 
E o que isso tem a ver com o nosso tema? Assinatura é o nome pessoal, é a marca de uma identidade, cada um tem a sua. É como o cheiro. A idéia que quero passar com esse vídeo é a de que sem um “senso de identidade” bem estabelecido, sem uma boa assinatura pessoal, ficamos sujeitos a sermos prisioneiros de partes nossas neuróticas, psicóticas, ou mesmo não nascidas, que em muito podem limitar nossa vida. [Apresentar o vídeo.]
Obrigado pela atenção e paciência!


Referências:

1. CORRÊA, M. L. P. (2006). Psicanálise e os Tropismos: matrizes da vida mental. Publicado na SBPSP, 2006.

2. FREUD, S. (1923). O Ego e o Id. In Edição Standard das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud (Volume XIX). Rio de Janeiro, Imago Ed., 1996.

3. MARQUES, T. H.T. (2006). Observando o trânsito da existência. Rev. Bras. de Psicanálise, Vol. 40, Nº3, 2006.

4. OGDEN, T. (1996). Sobre o Conceito de uma Posição Autística-Contígua. Rev. Bras. Psicanal. Vol. XXX, Nº2; ou Int. J. Psycho-Anal. (70). 127-140, 1989.

5. SÜSKIND, P. (1985). O Perfume. Rio de Janeiro, Editora Record.

6. TRINCA, W. (2007). O Ser Interior. O Ser Interior na Psicanálise. São Paulo, Vetor Editora, 2007.

7. TUSTIN, F. (1992). Autistic States in Children. London: Karnac.

8. WINNICOTT, D. W. (1962). A integração do ego no desenvolvimento da criança. O Ambiente e os Processos de Maturação.  Porto Alegre, Artes Médicas Ed., 1990.


1 Não excluo aqui, de forma alguma, os fatores constitucionais.

2 Esta posição seria mais primitiva do que as posições esquizo-paranóide e a depressiva descritas por  Melanie Klein, no entanto, estaria em relação dialética e contínua com ambas as posições posteriores a ela. O modo autístico-contíguo é um modo pré-simbólico de gerar e organizar a experiência, de uma forma preponderantemente sensorial, preparatória para a criação de símbolos; contribui para a conexão da experiência sensorial ‘amarrando’ os vários dados captados pelos órgãos dos sentidos, gerando uma superfície, um pano-de-fundo, uma rede, ou um “assoalho sensorial” (“sensory floor”, Grotstein J., 1987) para a delimitação de todos os estados subjetivos subseqüentes.

3 A ruptura da conexão sensorial e da vinculação na “posição autística-contígua” gera ansiedades que envolvem a experiência de uma iminente desintegração da superfície sensorial, ou do ritmo de segurança, resultando na sensação de escoamento, dissolução, desaparecimento ou de um cair sem fim num espaço informe e infinito (pág. 14).

4 Ogden associa a organização autística-contígua a um modo específico de atribuir sentido à experiência, na qual os dados sensoriais brutos são ordenados para formar conexões pré-simbólicas entre as impressões sensoriais que irão constituir superfícies delimitadas (pág. 03). É a partir dessa superfície sensorial que a experiência do ‘self’ poderá ter sua origem.

3 comentários:

BY BEIJÚ disse...

Olá, tudo bem? passei para conhecer o seu blog gostei muito e já estou te seguindo, também sou Blogueira Unida, e te convido a conhecer meu cantinho e se gostar me siga também... www.bybeiju.blogspot.com.br , bjim e até lá!

Juliana Juuh disse...

Eu gostaria de saber os aspectos morais, sociais, éticos e culturais deste filme.

Anelise Castro disse...

Nossa muito boa esta matéria, tinha algumas duvidas sobre este filme e aqui tive todas as explicações necessárias para meu entendimento. Parabéns adorei e vou publicar no meu face.

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