segunda-feira, 9 de julho de 2012

HISTÓRIA DA PSICOLOGIA CLINICA




HISTÓRIA DA PSICOLOGIA CLINICA
           
            Várias foram as contribuições para criar o “corpo” teórico, prático e técnico da psicologia clínica, e o verdadeiro início da disciplina. A psicologia clínica foi se tornando numa área vigorosa e ampla da psicologia aplicada, numa renovação constante que expressa o seu dinamismo.
            Três autores principais são considerados os seus fundadores, ainda que a sua ação não tenha sido imediatamente seguida: Witmer, ou que tenham utilizado muito pouco o próprio termo, Janet e Freud.

LIGHTNER WITMER

            Lightner Witmer nasceu em 1867 na Filadélfia, Pensilvânia.  Estudou na Universidade da Pensilvânia, onde, inicialmente, pensou seguir uma carreira em Direito, mas rapidamente optou por seguir Psicologia. Mais tarde, Witmer obteve o seu doutoramento sobre Wilhelm Wundt, na Alemanha. Depois de completar o seu trabalho, Witmer regressou à Universidade da Pensilvânia onde se dedicou à pesquisa laboratorial, surgindo o seu interesse, em 1896, por uma psicologia “prática”. Neste mesmo ano abriu a primeira clínica psicológica e mais tarde publicou a obra “Clínica Psicológica” onde explicou o seu trabalho dos últimos dez anos.
            Em 1956 Lightner Witmer vem a falecer, após uma vida de grandes trabalhos, de intensas investigações e de uma incansável dedicação.

Contribuições à Psicologia Clínica

            Lightner Witmer, considerado o principal fundador do termo “psicologia clínica”, funda, em 1896, nos Estados Unidos da América a primeira Clínica Psicológica, onde juntamente com outros psicólogos desta época (que se auto-intitulavam de “clínicos”) trabalhavam, principalmente, com crianças que apresentavam problemas com a aprendizagem ou com a escola, e não com doentes ou indivíduos com perturbações mentais. As crianças com que Witmer trabalhava não eram “anormais”, apenas se encontravam num estágio de desenvolvimento mais baixo que as restantes.
Witmer considerava que as salas de aulas, o tribunal de menores, e as ruas eram o grande laboratório de psicologia, ou seja, o grande campo de aplicação.
Visto que o termo “clínica” provinha da medicina, a tendência da época era pensar que a psicologia clínica era uma psicologia médica. Mas Witmer realçava a idéia contrária justificando que a escolha do termo “clínica” se deveu ao fato deste ser o melhor termo que encontrou para descrever o caráter do método que desenvolveu.
            A psicologia clínica era, no tempo de Witmer, um protesto contra a psicologia que derivava de especulações filosóficas. Para Witmer, a psicologia clínica era uma psicologia da prática em contexto, isto é, uma psicologia praticada em crianças reais com problemas reais.
Embora tivesse apresentado esta sua nova “disciplina” à Associação Psicológica Americana (APA), empregando os termos “psicologia clínica” e “método clínico”, a sua ação teve pouca apreensão, já que foi apenas em 1919 que a APA abriu uma seção clínica, cujos psicólogos clínicos tinham como tarefa o estudo dos casos individuais, a contribuição para o diagnóstico, a realização de avaliações e as terapias individuais ou de grupo.

PIERRE JANET

            Pierre-Marie-Félix Janet, conhecido simplesmente como Pierre Janet, nasceu em 1859 e faleceu em 1947, em Paris. Foi um psicólogo e neurologista reconhecido tanto na França como nos Estados Unidos, por desenvolver o tratamento clínico das doenças mentais. Determinado a ser professor, ingressou na escola em 1879. Lecionou, de 1882 até 1889, nos liceus de Châteauroux e do Havre. Durante este período preparou a sua tese de doutoramento em psicologia, a qual viria a ser apresentada em 1889.
            Jean-Martin Charcot interessou-se pelo trabalho de Janet e como dirigia o hospital Salpêtrière decidiu criar para ele um laboratório de psicologia experimental naquela instituição. No mesmo ano, em 1889, Janet iniciou os seus estudos em Medicina, trabalhando com Charcot.  Na Salpêtrière, Janet completou a tese para o seu diploma de médico, publicada em 1892.
            Para além de dirigir o laboratório de psicologia experimental, Janet continuou a lecionar filosofia, inicialmente no Colégio Rollin e depois no liceu Condorcet, até 1897.
            Em 1898 tornou-se  professor de psicologia experimental e cinco anos depois passou a ensinar no Colégio de França, onde permaneceu até 1936. Além de ensinar, Janet também era médico praticante especializado em desordens mentais e nervosas.
            Janet escreveu várias obras, realizou vários estudos e experiências que o tornaram conhecido em todo o mundo.  As suas idéias foram expostas no exterior, principalmente no meio psiquiátrico nos Estados Unidos.

Contribuições à Psicologia Clínica

            Pierre Janet falou muitas vezes de psicologia clínica. Foi em 1887, no livro “Neuroses e Idéias Fixas” no qual pela primeira vez mencionou este termo num sentido próximo do da psicologia médica, contrariamente a Witmer. Este diz que a psicologia clínica se destina aos médicos que se ocupam de doentes mentais, mas cabe aos filósofos construí-la. Utilizou ainda o termo em “Da Angústia ao Êxtase”, em 1926, e anunciou uma coleta de artigos (que nunca chegou a ser publicada), cujo título teria sido “Misturas de Psicologia Clínica”. É, então, o conjunto da sua obra que constitui uma sucessão de trabalhos de psicologia clínica.

SIGMUND FREUD

            Sigmund Freud nasceu em 1856 em Freiberg, uma pequena cidade da Morávia. Tinha quatro anos quando os seus pais se fixaram em Viena, acabando por ficar nesta cidade quase toda a vida.
            Na escolha da sua carreira Freud hesitou um pouco. Sentiu-se atraído, durante algum tempo, por Direito, mas decidiu-se, finalmente, pela Medicina. Assim, aos dezessete anos inscreveu-se na Universidade de Medicina de Viena. Interessou-se bastante pela investigação prática e trabalhou com alguns anatomistas, nomeadamente, Brucke e Meynert, em investigações acerca do sistema nervoso. Em 1881, aos vinte e cinco anos, adquiriu o grau de doutor em Medicina. Pensou, então, em continuar com as suas pesquisas, mas, seguindo os conselhos de Brucke, optou por entrar como interno para o hospital e em 1885 foi aceito como ajudante em neuropatologia. Nesse mesmo ano, Freud viajou até Paris para poder seguir os cursos de Charcot em Salpêtrière mas, após alguns meses, regressou a Viena fazendo um desvio por Berlim, onde se encontrou com Kossowitz, especialista em doenças nervosas das crianças.
            Em 1886 casou-se e estabeleceu-se como médico especialista em doenças nervosas. Durante cerca de cinquenta anos, Freud pesquisa e trabalha ininterruptamente criando um novo método completamente desconhecido, a Psicanálise.
            Associa harmoniosamente a sua vida profissional à sua vida social, tendo seis filhos.
            Os anos correm lentamente e aos setenta anos descobre que sofre de problemas cardíacos e câncer, em 1939, a sua saúde piorou falecendo devido a um ataque cardíaco.

Contribuições à Psicologia Clínica

            Sigmund Freud, por sua vez, utiliza o termo “psicologia clínica” numa carta a Fliess, em 30 de Janeiro de 1899: “agora a ligação com a psicologia, tal como se apresenta nos estudos (sobre a histeria), sai do caos. Percebo as relações com o conflito, com a vida, tudo o que eu gostaria de chamar de psicologia clínica”. Este termo encontra-se ausente na sua obra, mas são as suas preocupações, o seu método e os seus procedimentos que podem ser qualificados de “psicologia clínica”: ele representa um modelo devido à referência que faz à análise de casos individuais na produção das teorias. A sua obra é uma fonte de inspiração devido à sua preocupação em compreender os fenômenos psicológicos, o método, e ao evidenciar as particularidades da relação entre o sujeito e o observador.

A MUDANÇA NA DÉCADA DE 1930

            Em 1917, em Pittsburgo, alguns membros da Associação Psicológica Americana (APA) formaram uma pequena organização denominada por Associação Americana de Psicologia Clínica (AAPC) e adotaram o título de psicólogos clínicos. Inicialmente, a APA considerou este movimento como separatista e como um obstáculo ao seu desenvolvimento, mas em 1919 a AAPC integrou-se na APA formando uma seção de psicologia clínica que perdurou, apenas, até 1937.
            Neste mesmo ano publicou-se o primeiro número do Jornal de Consulta Psicológica que tinha como objetivo mostrar os interesses dos psicólogos clínicos e de outras psicologias aplicadas. Mais tarde, mas no mesmo ano, surge a Associação Americana de Psicologia Aplicada, composta por quatro seções, uma delas a clínica.
            No final da década de 1930 inicia-se o movimento de reestruturação do campo da psicologia clínica, que vai levar mais de dez anos para consolidar-se. Isto vem a ocorrer mais formalmente na Conferência de Boulder, em 1949, após o final da Segunda Guerra Mundial, que teve um forte impacto nesse desenvolvimento.

A CONFERÊNCIA DE BOULDER

            A Segunda Guerra Mundial marca fortemente a mudança de orientação da psicologia clínica. No fim desta guerra, pedia-se aos profissionais que lidavam com problemas emocionais que ajudassem a ultrapassar os problemas emergentes da guerra. Isto trouxe a abertura de oportunidades de trabalho para os psicólogos e psiquiatras.
            Em 1945, foi criada na APA a divisão de psicologia clínica, mas só posteriormente se clarificou o seu âmbito, mais concretamente em 1949, em Boulder, Colorado, nos Estados Unidos da América, numa reunião onde se propôs para o psicólogo um modelo de formação em psicologia clínica designado por Modelo de Boulder, considerando que o psicólogo deve se referir a um saber científico que valide a sua abordagem, os seus instrumentos e as suas concepções, mas que deve enriquecer e contribuir para a sua renovação, isto é, o psicólogo clínico deveria ser em primeiro lugar, um cientista e só depois um clínico prático.
            A psicologia clínica como prática profissional em contexto de doença mental surge nos hospitais de apoio aos militares que combateram na Segunda Guerra Mundial. Do mesmo modo, com a Conferência de Boulder, a psicologia clínica cria a sua própria linguagem, em que as pessoas que procuram ajuda vítimas de forças intrapsíquicas e biológicas fora do seu controle, tornam-se pacientes de especialistas, de cuidados e de tratamentos.
Enfim, a psicologia clínica, tal como hoje tende a ser entendida, nasce somente após a Segunda Guerra Mundial.

DESENVOLVIMENTO DA PSICOLOGIA CLÍNICA COMO PRÁTICA TERAPÊUTICA NAS PERTURBAÇÕES MENTAIS

O termo “psicologia clínica” tem sido utilizado, na linguagem do senso comum, para referir os psicólogos que trabalham ou que estão orientados para o exercício da psicologia com pessoas com perturbações mentais. Todavia, a história da psicologia clínica, nesta perspectiva, é relativamente curta.
Com efeito, é em 1946, após a Segunda Guerra Mundial, que se fundou uma organização que visava dar apoio aos militares afetados pela guerra, designada por Administração Veterana. É nesta altura que a APA se junta a esta organização procurando desenvolver padrões e centros de treino para os psicólogos clínicos. É também nesta data que a Administração Veterana e o Instituto Nacional de Saúde Mental começam a disponibilizar verbas para a formação da psicologia clínica numa vertente orientada para as perturbações mentais.

Um comentário:

Paulo Vicente disse...

Olá Aline, achei ótimo esse seu post sobre a História da psicologia.
Sou aluno de Psicologia, e nossa classe tem um site, para divulgação de materiais de estudo.

Estou publicando no meu site esse seu texto, com as devidas referencias a você e ao seu site.
Espero que não se importe.
E quando puder de uma passadinha la também. Abraços.
Paulo.
http://estudopsicologia.weebly.com/historia-da-psicologia_profordm-anderson-matos.html

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